Jorge Pé-Curto

Jorge Pé-Curto nasceu em 1955, em Moura. Vive em Almada desde 1965.
Começou a frequentar, desde os dez anos de idade, o Centro Artístico Infantil, no Castelo de S. Jorge, de que era mentor o pintor Hermano Baptista.
Mais tarde cursou escultura na Escola António Arroio como bolseiro da Fundação Gulbenkian. Em 1982, juntamente com outros artistas, fundou em Almada, a IMARGEM, projecto que, entretanto, viria a abandonar. Foi professor do ensino oficial durante 17 anos.
Como artista plástico Jorge Pé-Curto desenvolveu actividade na cerâmica, pintura, cartaz e gravura, mas seria na escultura, nomeadamente na pedra, que viria a centrar o seu trabalho. Colectivamente, Jorge Pé-Curto participou desde 1972 em diversas exposições em galerias, instituições várias, espaços comerciais e mostras escultóricas ao ar livre. Desde 1984 expõe individualmente. Da sua autoria são diversos monumentos, situados em várias regiões do país.

Exposições Individuais
1984, Galeria Codilivro, Lisboa; 1989, Galeria Escada, Lisboa; 1990, Galeria Ara, Lisboa; 1992, Galeria de Lagos, Lagos; 1993, Galeria de S. Bento, Lisboa; 1995, Galeria Neupergama, Torres Novas; 1996, Galeria Vértice, Lisboa; 1998, Galeria S. Francisco, Lisboa
2000, Galeria Arte&Mar, Sesimbra; 2000, Galeria Artela, Lisboa; 2001, Galeria Municipal, Barreiro; 2002, Galeria Galveias, Lisboa; 2005, Galeria Galveias, Lisboa

Obras de Arte Pública Em colaboração com Francisco Bronze, Evocação de Fernão Mendes Pinto, Almada, 1984 | Monumento ao Pescador, Costa da Caparica, 1985 | Mural em Baixo-relevo, Casa Mortuária de Alhos Vedros, 1986 | Monumento ao Bombeiro, Sines, 1992 | Viagem, Almada, 1994 | Intervenções Escultóricas em àreas de serviço de auto-estradas: Um Olhar Sobre o Rio, Seixal, 2000 | Touro Cindido e Conquistador, Montemor-o-Novo, 2000 | Margem Esquerda – Monumento ao Operário, Baixa da Banheira, 2001 | Primeiro as Crianças, Cacilhas, 2001 | Em colaboração com outros escultores, Intervenção no Caminho Rural da Fonte Velha, Belver, 2004 | Intervenção Escultórica na ABORO, Associação de Regantes, Ferreira do Alentejo, 2004 | Cabeça de Soldado Romano, 3º Simpósio de Escultura de Alfândega da Fé, 2004 | Figura Cindida com Ave, Simpósio de Escultura em Pedra da Faculdade de Ciências Técnicas – UNL, Monte de Caparica, 2006 | Lobisomem Uivando ao Luar, Simpósio de Escultura de Penafiel, 2007 | Monumento ao 25 de Abril, Parque Luso, Seixal, 2007 |Monumento ao Fundador, Parque Luso, Seixal, 2007.

Contorcionista-Pedra artificial-50x50x50cm

Contorcionista

Dona Inêz de Castro-Pasta de papel pintada-25x32x32cm

Dona Inêz de Castro

A Viagem - Almada

A Viagem

Monumento fundador-Seixal

Monumento ao Fundador

 

 

Pé Curto - Chegada de um novo inquilino-Mármore-47x26x20cm-2000Euros

Chegada de um novo inquilino

 

Surrealismos ou episódios “non sense” emanam da lisura das pedras e, apelativos, esperam que se lhes toque, antes mesmo de tentar a leitura. É na decantação formal e no excelente sentido das composições que Jorge Pé-Curto obtém sucesso e se demarca de todos os jovens escultores da sua geração.

Desconhecendo-lhe os mecanismos criativos, ouso decidir pelo rigor como veículo preponderante desta intervenção que se pauta pela diferença e por uma modernidade referenciada. O autor, que retira o máximo aproveitamento da tridimensionalidade da sua obra, conhece, com notável sensibilidade, todos os meandros que conduzem não só à comunicação ideal como também à exaltação do próprio discurso estético. Dir-se-ia que nada se regista sem o imprescindível concurso de agentes determinantes, grupo em que integro a harmonia dos contrários; a conjugação de materiais cromática e texturalmente diferenciados; o variável comportamento da peça interagindo com a luz, dialogando com o espaço envolvente ou encerrando centros de uma dinâmica toda especial. Sapiência intuitiva ou empenhada pesquisa?

A verdade é que, neste deambular pelas emoções, neste reinventar do real em busca do inédito, se espelha o homem pleno de virtudes e precariedades. Geri-las, com talento e determinação, é próprio de sensitivos e de artistas. Porque, a uns e outros, cabe o papel de oráculo no amainar das inquietações gerais? Por serem eles o fermento para a mudança na qual se abala o presente e se estriba o futuro?

Tenho para mim que Jorge Pé-Curto, cultor da mais fina ironia, nos mostra como se esbatem fronteiras , se realizam insólitas simbioses e como, pelo poder das metáforas, podemos aceder a mundos tendencialmente melhores.

A porta é lúdica, o reino rico e a arte sensual. Quanto à beleza, essa perpétua mutante, veste-se de códigos na gala das alegorias que lhe acendem a imaginação.

Estoril, Setembro 2000

EDGARDO XAVIER