Vítor Ferreira

Nasceu a 21 de Outubro de 1948, na Vila do Barreiro. Frequentou as escolas Emidio Navarro, António Arroio e Instituto Britânico. Tem o Curso Artes do Fogo, da Escola de Artes Decorativas António Arroio. Foi fundador da Imargem-Associação de Artistas Plásticos do Concelho de Almada. Participou em cerca de 4 dezenas de exposições das quais se destacam.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS (selecção)

1973 – Lisboa (Casa da Imprensa); 1974 – Lisboa (Galeria Quadrante); Porto (Galeria Abel Salazar); 1976 – Galeria Ibertivro – Lisboa; 1979 – Lisboa (Galeria Quadrante); Museu de Angra do Heroismo – Açores; 1980 – Lisboa (Galeria O Pais); 1982 – Barreiro (Estúdio Augusto Cabrita); 1984 – Barreiro (Estúdio Augusto Cabrita); 1985 -Lisboa (Galeria Fonte Nova); 1989 – Barreiro (Nova Galeria).

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS (selecção)

1968 – Almada (Incrível Almadense); 1969 – I Salão de Novíssimos – Almada; 1970 -Lisboa (Embaixada de Espanha); Salão de Arte Moderna – Estoril; 1980 – Bienal de Vila Nova de Cerveira /I Bienal; 1981 – Restaurante Escorial – Lisboa; 1987 – São Paulo(Galeria Multiarte); Canadá (Del Bello Gallery); 1988 – Lisboa (Forum Arte Contemporânea); Almada (Galeria Municipal) Espólio do Município; 1989- São Paulo Núcleo de Arte Nova Era; Exposições anuais da IMARGEM.

PUBLICAÇÕES

CORREIA, Romeu – Homens e Mulheres Vinculados às Terras de Almada. Almada, Câmara Municipal de Almada, 1978.

PAMPLONA, Fernando de – Dicionário de Pintores e Escultores Pottugueses. Barcelos: Editora do Minho, 1987.

TANNOCK, Michael – Portuguese 20th Century Attists. Phillmore & Co. L, England, 1987.

Tem vários livros de poesia publicados. Está representado em colecções particulares, no Seminário de Amada, no Museu Manuel Cabanas, em Vila Real de Santo Antonio, no Museu de Angra do Heroismo, nos Açcres e no Museu Municipal de Santiago do Cacém.

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Salvo raras excepções, na minha pintura tem predominado a paisagem; desde a cópia de uma cena bucólica, feita hà cerca de 35 anos, até às tendências abstratizantes dos anos que se seguiram .

Se quizermos fixar uma data de viragem, poderiamos referir o óleo “Fim de Galáxia” de 1969 que culmina uma série de experiências – estava aberto o caminho que seguiria até às pinturas recentes.

Por vezes, a “consistência” da paisagem quase se torna fluída ou “vazia”, abandonando a ” materialidade” do concreto (ou real) para se tornar, ela própria, um espaço onde tudo pode acontecer; numa fusão e/ou diálogo, entre o interior e o exterior.

A paisagem tende para a essência da paisagem; a “animus” que tudo vivifica, a que está para além do olhar – esse acto indizível de Ver. Entende-se Ver, não como um simples olhar, ou um puro acto fisiológico, mas como o culminar de um longo processo cognitivo.

Para tornar mais claro o que foi dito, podemos recorrer à dicotomia de “Ver” a paisagem, no Ocidente e no Oriente. A diferença fundamental, não está no relevo das montanhas ou nos caprichos da flora; outros sim, nos pressupostos culturais de quem olha.

Se olharmos com atenção, ser-nos-á possível notar a oposição quase radical , de formas diversas de estar-no-mundo. Digamos que o “enfoque” se situa entre o cheio/ vazio, o exterior/ interior.

Assim , a paisagem ocidental tende ao cheio, ao exterior, funcionando, repetidas vezes, como ” cenário”.

A paisagem oriental, tende para o vazio, o interior, onde o ente humano se integra de forma harmoniosa.

A mesma “visão” é igualmente aplicável, tanto “ao imensamente grande, como” ao imensamente pequeno”- o macrocosmo ou microcosmo.

 

Victor Ferreira