Francisco Bronze

Ferragudo, 1936.

Frequenta as aulas nocturnas de desenho de modelo nu (1951) e a Secção Teórica do Curso de Formação Artística (1965-69) na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa.

Em 1966 começa a escrever crítica de arte na revista “Colóquio” da FCG-Fundação Calouste Gulbenkian, mantendo uma colaboração regular durante vários anos, e em diversos jornais e portugueses, fazendo parte da associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Em 1969 efectuou uma viagem de estudo através da Europa, subsidiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1968, integrou diversos projectos dos criticos da AICA, organiza a exposição na Galeria Quadrante sob o tema “O Objecto” e participa numa mesa redonda  com  José-Augusto França, Ernesto de Sousa e Rui Mário Gonçalves sobre “Artistas e Criticos na Sociedade Portuguesa” na Galeria Alvarez no Porto. Em 1971 com José-Augusto França, Fernando Pernes e Rui Mário Gonçalves, integra o júri de selecção dos artistas representados na nova decoração do café “A Brasileira”, no Chiado.

Em 1972 permanece 3 meses em Paris. No regresso, volta à pintura que entretanto abandonara. Em 1975 abandona a crítica de arte.

Fez parte do Grupo do Dragão Vermelho (1959-61) em Almada. Em 1982, com outros artistas do concelho de Almada é fundador da IMARGEM- Associação de Artistas Plásticos de Almada, integrando várias das suas direcções.

Em 1970 em colaboração com o Zagallo, realiza um mural no Parque de Campismo do CCA da Costa da Caparica e em 1982 inicia um mural em memória a Fernão Mendes Pinto localizado no Pragal, realizado em colaboração com o escultor Jorge Pé-Curto.

Realizou e participou em diversas exposições desde 1958, referindo apenas em 1960 a sua participação no 2º Salão dos Novíssimos, Palácio da Foz, Lisboa e em 2012 a sua exposição individual “Histórias e Geografias” na Casa da Cerca-Centro de Arte Contemporânea de Almada. Está representado em diversas coleções públicas e privadas.

Recebeu a Medalha de Bronze da Câmara Municipal de Almada (1995) e a Medalha de Prata de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Almada(2007).

Consta no livro “Portugueses 20th century artists” de Michael Tannock, é referido no livro de Romeu Correia “Homens e Mulheres Vinculados às Terras de Almada”, assim como no “Arte Guia Luso-Espanhol” de 1989.

Francisco Bronze 1 Francisco Bronze 2 bronze 2 bronze 4 bronze 6 bronze Francisco  Bronze - Nocturno com Nu, 1995, 50x40 Francisco  Bronze- Corpo Jacente, 1995, 51x40

(…) Décadas de atividade! A quantidade de obras expostas é por si mesma garantia do empenho expressivo de Francisco Bronze. Ao longo das décadas, variaram os tipos de pesquisa formal, a experimentação de diferentes matérias, as opções temáticas.

Mas as pesquisas formais nunca foram praticadas friamente, e muito menos a experimentação de diferentes matérias. Quanto às opções temáticas, e até às escolhas de objetos-pretextos para realizar as suas composições pictóricas, eu sinto-as como vontade de estabelecer elos de comunicação afetiva, representando recantos da casa, objetos e animais domésticos, paisagens quotidianamente observadas.

Não se trata apenas de facilitar a comunicação com os espectadores da sua pintura que, casualmente, conheçam as paisagens ou os recantos da casa do pintor, mas de um acto de sinceridade do autor. Isto é: representar um gato em sossego serve para evocar o ambiente tranquilo em que o gato e o pintor habitam.

Mais importante, para mim, são outras circunstâncias: aquelas em que um objeto é por si mesmo um prodígio de espectacularidade cromática, uma almofada bordada, uma manta, etc.

Aí, o pintor é estimulado opticamente, satisfazendo-se a si e aos seus espectadores, que lhe agradecem o agradabilíssimo jogo cromático e não cuidam de saber se a almofada ou a manta são exatamente daquelas cores.

Ainda quanto às temáticas, ocorre-me imaginar uma luta íntima do Bronze. Ele talvez gostasse de, por vezes, fixar um drama em alguma das suas telas; mas o cromatismo modernizante, de sequência impressionista e fauve, foge ao drama. Não vale menos, por isso. É um cromatismo que por si mesmo ajuda a adquirir uma atitude mental construtiva e saudável.

Frequentemente, encontro nesta mostra alguns pares didacticamente apresentados. Exemplo: um quadro a óleo e uma aguarela que o precedeu. Não é raro eu preferir a aguarela, ali apresentada como estudo para o óleo. As aguarela, os primeiros esboços, são, quanto a mim, mais eficazes como expressão da frescura do olhar do pintor focado no mundo circundante.

Como é do conhecimento geral os aguarelistas extraem belíssimos efeitos a partir da brancura do papel. Ora, a cor de Francisco Bronze ganha muito quando se conjuga com a luminosidade.

Entre os desenhos mais antigos, gostaria de chamar a atenção para uma série em que se evoca a figura humana numa mancha vertical isolada. Em seu redor, a brancura do papel surge como luz ofuscante, desse modo justificando que os contornos apareçam roídos pela luz. Ar está um exemplo de como a simplicidade pode sugerir o drama humano, na sua solidão, e até o sentimento do sublime.

No mesmo sentido, gosto particularmente de certas sugestões paisagísticas concentradas na linha recta do horizonte marinho. A essencialidade formal presta-se à meditação.

Ao reunir um tão grande conjunto de obras, o próprio Francisco Bronze reavaliará a aventura poética que tenazmente tem prosseguido e os seus admiradores poderão encetar com ele conversações férteis em sugestões e ensinamentos, obrigando agora o pintor-crítico a falar sobre a sua própria obra. Assim seja.

Rui Mário Gonçalves

(excerto do texto “Primeira Vista – Visita à Exposição de Francisco Bronze”de Rui Mário Gonçalves no Catálogo da Exposição da”Francisco Bronze-Histórias Geografias, 2012”

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