José Zagallo

Almada, 1937-2000

Frequentou a Escola António Arroio. Foi um dos organizadores do Grupo Perspectiva. Participou em todas as exposições de pintura e de poesia ilustrada que nos anos 159-61 se realizaram no Café do Dragão em Almada. Foi fundador da Imargem- Associação de Artistas Plásticos do Concelho de Almada.

Exposições Individuais (Selecção): 1981- Montijo; 1989 – Feijó.

Exposições Colectivas (Selecção): Exposições de Artes Plásticas, Convento dos Capuchos, Almada  (1956-1960); Salão de Arte Moderna de Queluz; Cooperativa Piedense, Cova da Piedade; Viagem ao Mundo da Linha, da Forma e da Cor em Almada; Movimento da Paz, Cova da Piedade;  Participou em diversas exposições na IMARGEM e em Bienais da Festa do Avante; I e II Bienal do Sabugal.

Representado com cerâmica, pintura e escultura em diversas colecções particulares de Portugal, Bélgica e Holanda.

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Homenagem ao Trolha (sd) Ferro e Tinta de Esmalte. Restaurado por Maria Bargado (2014)

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A Menina e o Pássaro (sd) Aglomerado de Madeira, Platex, Tinta de Esmalte e Sub-capa. Restaurado por Maria Bargado (2014)

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O Ginasta (sd) MDF, Tubo de Plástico, Alumínio e Tinta de Esmalte. Restaurado por Maria Bargado (2014)

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Natureza Morta (sd) MDF, Espelhos e Tinta de esmalte.

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Dom Quixote (sd) Aglomerado, MDF, Pano Crú, Tinta de Esmalte e Sisal. Restaurado por Maria Bargado (2014)

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Dom Quixote (pormenor)

Como vem acontecendo desde há alguns anos, o material que utiliza é a madeira. Diante dela, Zagallo sonha. Não de olhos fechados, mas abertos, bem abertos ao mundo. Pega então na serra, no serrote, e vá de cortar, de moldar, de dar forma o uma varina, a um palhaço, a uma ceifeira, a um ciclista …

Zagallo entende que Abel Salazar tinha razão quando afirmava que “à arte não basta a função de interpretar a vida” e, como é pintor, pega agora nos pincéis, nas tintas e ei-lo a  colorir as formas que deu à madeira, e dar-lhes vida, a projectá-la na vida dos homens.

Subitamente, a varina já não é apenas o corpo, o rosto, mas também o barco, o peixe, o drama ou a alegria; a ceifeira é mais do que a trabalhadora da foice, é o esforço, o sol, o calor, a sede, o bem do trabalho e o mal da exploração do trabalho. José Zagallo  pertence, numa consciente adesão ideológica, ao grupo dos que acham que através da Arte, é possível fazer mais do que retratar o Mundo – é possível e necessário dar elementos, dar forças, no sentido de nos encaminharmos para a transformação do Mundo.

Alexandre Castanheira

Escritor

 

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